O poema que se segue nasceu da minha saudade de velhos tempos da minha infância e juventude e das recordações de quadros diretamente usufruídos, que ainda hoje povoam os meus sonhos e me fazem amar a terra que me foi berço, e que, eventualmente, será um dia, que eu desejo distante, a minha derradeira morada, entretanto, devo dizer, que ela continua para mim a ser fonte de imensa alegria e inolvidável prazer, testemunha desse facto é o poema que a seguir vos deixo escrito.
Águas vivas, ledas fontes,
pingando ternura e graça,
a água que vem dos montes
e as pontes por onde passa.
A alternância da brisa,
ternura do vento norte...
e este ar puro que desliza
pelos campos de Monforte.
Colinas de sol ameno,
vinhas, trigais, arvoredos,
noites claras, céu sereno,
descantes, festas, folguedos.
Moças trigueiras cantando
num paraíso risonho.
Linda Monforte onde eu ando
como se andasse num sonho!
Ledas ruas, lindas praças
que alegram a luz do dia,
onde se soltam as Graças
que dão cor à alegria.
Os traços do seu Castelo,
através do casario,
formam um quadro tão belo!...
São como as curvas dum rio...
As casas senhoriais,
com seu ar de distinção,
são uma vertente mais
que nos enche o coração.
Nas suas casas rasteiras,
o branco domina a cor,
são outras tantas maneiras
de s'expressar o amor.
O esmero e a brancura,
que do casario emana,
são expressão da ternura
da mulher alentejana.
O calor da sua gente
é um cartão de visita
que se usufrui e se sente
nesta terra tão bonita.
E, é tal a sua beleza...
que, quem quer que aqui aporte...
fica preso concerteza
à beleza de Monforte!...
Matos Serra, in
Alentejo, as terras e as gentes.
domingo, 8 de janeiro de 2012
PRODUTO NACIONAL - BELEZAS DO ALENTEJO
A TERNA MENSAGEIRA VOADORA
Cegonha, a pernalta sedutora,
senhora das planícies e dos prados,
rainha magestosa dos valados,
a terna mensageira voadora...
Já não trabalha tanto como outrora,
passa dias alegres, descuidados,
nem a vemos andar pelos telhados
a levar a cestinha encantadora.
A cegonha ficou desempregada
que a nova geração está empenhada
no gostoso fabrico artesanal.
Os bebés já não vêm lá de França...
é bom que se mantenha alguma esperança
num novo e bom produto nacional.
Matos Serra, in
Belezas do Alentejo
Cegonha, a pernalta sedutora,
senhora das planícies e dos prados,
rainha magestosa dos valados,
a terna mensageira voadora...
Já não trabalha tanto como outrora,
passa dias alegres, descuidados,
nem a vemos andar pelos telhados
a levar a cestinha encantadora.
A cegonha ficou desempregada
que a nova geração está empenhada
no gostoso fabrico artesanal.
Os bebés já não vêm lá de França...
é bom que se mantenha alguma esperança
num novo e bom produto nacional.
Matos Serra, in
Belezas do Alentejo
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
RECORDAÇÕES
Nos meus tempos de infância palmilhei vezes sem conta o chamado Vale das Termas que fica adstrito à bucólica Vila de Cabeço de Vide. Este vale é um dos mais interessantes biomas do Distrito de Portalegre, com uma fauna e uma flora muito rica e diversificada, mormente na sua composição ornitológica, um paraíso onde a interação do homem se fez sentir desde há muitos milhares de anos, e onde a presença dos nossos ancestrais desde o paleolítico até aos nossos dias deixou marcas indeléveis desde lá de cima, da Horta Tirana até lá mais abaixo ao chamado Açude do Pisão. Ao todo, neste percurso existem doze ruinas de antigos açudes e outras tantas azenhas aonde, até há poucas décadas, ainda laboravam, e os moleiros tinham uma intensa atividade. Eu próprio ainda tive o prazer de ver parte destes engenhos a produzir a bela farinha e comi do belo pão que por aqui se produzia. Foi por uma sentimentalidade que desde há muitos anos me liga a este mundo mágico, onde se impõe uma natureza que me atrai pela sua espécie de feiticeira magia, que vim instalar-me aqui há mais de duas décadas, tendo tido, assim, a possibilidade de juntar às recordações de outrora uma vivência direta em comunhão fraterna com as suas genuínas belezas naturais. Destas belezas de outrora, das quais ainda restam manifestações suficientes para me encantarem e adoçarem a vida, os açudes e azenhas são, sem sombra de dúvida as que mais me marcam e me trazem doces nostalgias dos meus tempos da infãncia.
Foi em função destas recordações que, ao ter encontrado uma quadra do Tio Chico dos Moinhos, moleiro de Casével, Castro Verde, num jornal regional, me propus cantar num poema, também de tipo regional, usando a quadra como mote, as belezas deste vale que continuam a adoçar-me a alma e a inspirar-me a poesia que, neste caso, intitulei de "RECORDAÇÕES".
Então aí vai verso, deve ter-se em conta que aos verbos ver e ouvir deve ser dado o sentido de recordar.
MOTE DO TIO CHICO
Ó velas do meu moinho,
Rodízios da minha azenha...
Vão rodando lentamente
Esperando que a morte venha.
No seu curso calmo e lento
vejo as curvas da ribeira
e a frondosa oliveira
balançando ao som do vento,
que, de momento a momento,
vinha soprar de mansinho,
quando eu fazia o caminho
que do vale sobe ao monte.
Ó pedras da velha ponte...
Ó velas do meu moinho!...
Vejo a linda moleirinha
de manhã, quando ia à fonte,
levando na meiga fronte
uma aureola de farinha...
e, depois, quando à tardinha
sosinha descia a brenha...
Não há nada que contenha
estas saudades de outrora...
O velho açude... e a nora...
Rodízios da minha azenha.
Ouço a água que caía
em sonoroso caudal,
e o doce madrigal
da alegre cotovia...
E, ouço na manhã fria,
o negro melro plangente,
a trinar suavemente
velhas árias e canções...
As minhas recordações
vão rodando lentamente.
Vejo os baguinhos de trigo
que sob o peso da mó
se transmudavam em pó
naquele moinho antigo...
E quando agora prossigo
com esta breve resenha,
não há nada que detenha
saudades e emoções
quando passo os meus serões
esperando que a morte venha.
Matos Serra, in
Belezas do Alentejo
Foi em função destas recordações que, ao ter encontrado uma quadra do Tio Chico dos Moinhos, moleiro de Casével, Castro Verde, num jornal regional, me propus cantar num poema, também de tipo regional, usando a quadra como mote, as belezas deste vale que continuam a adoçar-me a alma e a inspirar-me a poesia que, neste caso, intitulei de "RECORDAÇÕES".
Então aí vai verso, deve ter-se em conta que aos verbos ver e ouvir deve ser dado o sentido de recordar.
MOTE DO TIO CHICO
Ó velas do meu moinho,
Rodízios da minha azenha...
Vão rodando lentamente
Esperando que a morte venha.
No seu curso calmo e lento
vejo as curvas da ribeira
e a frondosa oliveira
balançando ao som do vento,
que, de momento a momento,
vinha soprar de mansinho,
quando eu fazia o caminho
que do vale sobe ao monte.
Ó pedras da velha ponte...
Ó velas do meu moinho!...
Vejo a linda moleirinha
de manhã, quando ia à fonte,
levando na meiga fronte
uma aureola de farinha...
e, depois, quando à tardinha
sosinha descia a brenha...
Não há nada que contenha
estas saudades de outrora...
O velho açude... e a nora...
Rodízios da minha azenha.
Ouço a água que caía
em sonoroso caudal,
e o doce madrigal
da alegre cotovia...
E, ouço na manhã fria,
o negro melro plangente,
a trinar suavemente
velhas árias e canções...
As minhas recordações
vão rodando lentamente.
Vejo os baguinhos de trigo
que sob o peso da mó
se transmudavam em pó
naquele moinho antigo...
E quando agora prossigo
com esta breve resenha,
não há nada que detenha
saudades e emoções
quando passo os meus serões
esperando que a morte venha.
Matos Serra, in
Belezas do Alentejo
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
AO CANTAR DO CUCO - BELEZAS DO ALENTEJO
" EXPLICAÇÃO SOBRE ESTE TEMA DE HISTÓRIA NATURAL"
Dizem estudos sobre a ornitologia, e eu constatei, enquanto guardador de rebanhos e camponês observador, a veracidade a que tais estudos conduziram, que o cuco, depois de depredar os ninhos de outras aves mais pequenas, comendo-lhes os ovos, coloca nesses ninhos depredados, em cada um um ovo, da sua própria postura, que abandona a um processo levado a cabo por essas aves que lhe alimentam e criam os filhos, sendo a felosa a que mais costuma deixar-se enganar, enquanto que, por exemplo, o "picanço", ao que eu próprio constatei, luta denodadamente contra o cuco, pelas suas posturas e pela criação da prole. O "gaio", sendo uma ave da compleição idêntica à do cuco, tem com ele, em pleno ar, também grandes lutas e, o "pintassilgo" e outras aves de pequeno porte, nidificam em ramos muito frágeis onde o cuco não se aventura a poisar, daí o sentido do meu poema escrito à laia de fábula, já que os humanos também sempre andaram, cá neste mundo, a comerem-se uns aos outros.
Por outro lado, a sabedoria popular, para os casos em que se consta que nos casais humanos o homem é preguiçoso e a mulher muito ativa e empenhada na provisão do lar, criou o seguinte adágio:
ANDA A FELOSA A GOVERNAR O CUCO.
TÍTULO DO SONETO: O BOSQUE EM ALVOROÇO
Enquanto canta o cuco, diz o gaio:
Já chegou o malandro, preguiçoso...
Que vamos nós fazer? Ave dum raio...
Eu nunca vi um tipo tão manhoso.
O pintassilgo diz: Daqui não saio!
Vou procurar o ramo mais ventoso,
Que eu já me habituei, de lá não caio
e o cuco é grandalhão mas é medroso.
Já começou no bosque o alvoroço,
e quando o cuco emite as suas notas
chilreia insegura a passarada;
mas, a "felosa" diz: Eu cá, não ouço...
Enquanto alguns vão dando corda às botas
vai ficar p'ró martírio, a desgraçada!
Matos Serra
Dizem estudos sobre a ornitologia, e eu constatei, enquanto guardador de rebanhos e camponês observador, a veracidade a que tais estudos conduziram, que o cuco, depois de depredar os ninhos de outras aves mais pequenas, comendo-lhes os ovos, coloca nesses ninhos depredados, em cada um um ovo, da sua própria postura, que abandona a um processo levado a cabo por essas aves que lhe alimentam e criam os filhos, sendo a felosa a que mais costuma deixar-se enganar, enquanto que, por exemplo, o "picanço", ao que eu próprio constatei, luta denodadamente contra o cuco, pelas suas posturas e pela criação da prole. O "gaio", sendo uma ave da compleição idêntica à do cuco, tem com ele, em pleno ar, também grandes lutas e, o "pintassilgo" e outras aves de pequeno porte, nidificam em ramos muito frágeis onde o cuco não se aventura a poisar, daí o sentido do meu poema escrito à laia de fábula, já que os humanos também sempre andaram, cá neste mundo, a comerem-se uns aos outros.
Por outro lado, a sabedoria popular, para os casos em que se consta que nos casais humanos o homem é preguiçoso e a mulher muito ativa e empenhada na provisão do lar, criou o seguinte adágio:
ANDA A FELOSA A GOVERNAR O CUCO.
TÍTULO DO SONETO: O BOSQUE EM ALVOROÇO
Enquanto canta o cuco, diz o gaio:
Já chegou o malandro, preguiçoso...
Que vamos nós fazer? Ave dum raio...
Eu nunca vi um tipo tão manhoso.
O pintassilgo diz: Daqui não saio!
Vou procurar o ramo mais ventoso,
Que eu já me habituei, de lá não caio
e o cuco é grandalhão mas é medroso.
Já começou no bosque o alvoroço,
e quando o cuco emite as suas notas
chilreia insegura a passarada;
mas, a "felosa" diz: Eu cá, não ouço...
Enquanto alguns vão dando corda às botas
vai ficar p'ró martírio, a desgraçada!
Matos Serra
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
DANÇANDO NA BRISA LEVE - BELEZAS DO ALENTEJO
AS CEGONHAS
Passam rasando o vale e lá vão indo
pequenas formações como esquadrilhas,
vão ao sabor do vento, as andarilhas,
traçando sobre o monte um quadro lindo;
dançam na brisa leve e vão subindo,
vogando à frente, as mães guiam as filhas,
quando alguma se atrasa fica a milhas
e faz parecer o bando desavindo.
Lá longe, já pousaram as primeiras,
cumprindo o seu papel de mensageiras,
num eterno retorno da beleza...
São senhoras do vale, e, delicadas...
já passeiam alegres, descuidadas,
e tornaram mais bela a natureza.
Matos Serra, in
"Belezas do Alentejo"
Passam rasando o vale e lá vão indo
pequenas formações como esquadrilhas,
vão ao sabor do vento, as andarilhas,
traçando sobre o monte um quadro lindo;
dançam na brisa leve e vão subindo,
vogando à frente, as mães guiam as filhas,
quando alguma se atrasa fica a milhas
e faz parecer o bando desavindo.
Lá longe, já pousaram as primeiras,
cumprindo o seu papel de mensageiras,
num eterno retorno da beleza...
São senhoras do vale, e, delicadas...
já passeiam alegres, descuidadas,
e tornaram mais bela a natureza.
Matos Serra, in
"Belezas do Alentejo"
O ALENTEJO E O ALQUEVA
TÍTULO: METÁFORA DO VERDE-RIO
"O ALENTEJO ENTRE A ESPERANÇA E A INCERTEZA"
Da poética tradicional alentejana e com mote dado pelo reconhecido poeta alentejano, Professor António Simões, nos Jogos Florais do Alentejo, realizados em Estremoz em 2003, foi distinguido com o 1-º Prémio.
MOTE
Alentejo vai ser verde,
do Alqueva vem a água.
Se nos matas fome e sede...
mata também nossa mágoa.
Será... que o verde é de esperança
ou a esperança é insegura...
neste verde da planura
a perder-se na distância?
Ou sonho que não se alcança,
perspetiva que se perde?
Como o meu estro... que em breve...
perde tom, perde harmonia...
e nem sequer na poesia
O Alentejo vai ser verde.
Pode ser um verde puro...
um verde alegre e risonho,
verde mar, de céu, de sonho...
e que possa ser seguro
na certeza de um futuro
que não seja verde mágoa...
um verde vinho que traga
euforias e esperanças.
Se é p'ró verde das mudanças...
Do Alqueva vem a água.
À tona do verde rio
verdes sonhos vão vogando...
sonhos que vamos sonhando
dias e anos a fio...
Cada sonho é um navio
com sua bandeira verde...
o verde anseio, que não cede
ao que havemos já sonhado...
Mata o nosso triste fado
Se nos matas fome e sede.
Frescura da verde margem,
ternura da verde cor...
verdes meus sonhos de amor
espraiados na paisagem.
Vejo subir na barragem
a água mansa que alaga,
é carinho que me afaga
com sua doce brandura...
Se nos matas de ternura
Mata também nossa mágoa.
Matos Serra, in O Alentejo, as Terras e as Gentes.
"O ALENTEJO ENTRE A ESPERANÇA E A INCERTEZA"
Da poética tradicional alentejana e com mote dado pelo reconhecido poeta alentejano, Professor António Simões, nos Jogos Florais do Alentejo, realizados em Estremoz em 2003, foi distinguido com o 1-º Prémio.
MOTE
Alentejo vai ser verde,
do Alqueva vem a água.
Se nos matas fome e sede...
mata também nossa mágoa.
Será... que o verde é de esperança
ou a esperança é insegura...
neste verde da planura
a perder-se na distância?
Ou sonho que não se alcança,
perspetiva que se perde?
Como o meu estro... que em breve...
perde tom, perde harmonia...
e nem sequer na poesia
O Alentejo vai ser verde.
Pode ser um verde puro...
um verde alegre e risonho,
verde mar, de céu, de sonho...
e que possa ser seguro
na certeza de um futuro
que não seja verde mágoa...
um verde vinho que traga
euforias e esperanças.
Se é p'ró verde das mudanças...
Do Alqueva vem a água.
À tona do verde rio
verdes sonhos vão vogando...
sonhos que vamos sonhando
dias e anos a fio...
Cada sonho é um navio
com sua bandeira verde...
o verde anseio, que não cede
ao que havemos já sonhado...
Mata o nosso triste fado
Se nos matas fome e sede.
Frescura da verde margem,
ternura da verde cor...
verdes meus sonhos de amor
espraiados na paisagem.
Vejo subir na barragem
a água mansa que alaga,
é carinho que me afaga
com sua doce brandura...
Se nos matas de ternura
Mata também nossa mágoa.
Matos Serra, in O Alentejo, as Terras e as Gentes.
O ALENTEJO O AMBIENTE E O CLIMA
TÍTULO: O SEGUNDO MILAGRE DAS ROSAS
Em dez de Janeiro de 2003 eram muitas, como geralmente acontece ainda por essa altura, e lindas... as rosas que havia no roseiral do muro da minha pequena quinta, situada no vale das termas de Cabeço de Vide e, eu compus, então, esta brincadeira em forma de soneto.
Ainda há rosas no roseiral do muro...
Vistosos e frondosos ramos dão,
viçosas, muitas rosas em botão,
perfumando o ar deste vergel tão puro!...
Formosas, estas rosas, e eu juro:
Este milagre, sem Isabel de Aragão...
Menos milagre é do Céu que deste chão
que será o jardim do meu futuro.
Afinal... Em Janeiro também há rosas...
Não percebo a razão de tantas prosas
acerca do milagre de Isabel!...
Cá por mim... para que a vida me console...
Sou crente deste chão e deste sol,
da natureza e do ar puro deste vergel!
Matos Serra, in
Monte da Bica
Em dez de Janeiro de 2003 eram muitas, como geralmente acontece ainda por essa altura, e lindas... as rosas que havia no roseiral do muro da minha pequena quinta, situada no vale das termas de Cabeço de Vide e, eu compus, então, esta brincadeira em forma de soneto.
Ainda há rosas no roseiral do muro...
Vistosos e frondosos ramos dão,
viçosas, muitas rosas em botão,
perfumando o ar deste vergel tão puro!...
Formosas, estas rosas, e eu juro:
Este milagre, sem Isabel de Aragão...
Menos milagre é do Céu que deste chão
que será o jardim do meu futuro.
Afinal... Em Janeiro também há rosas...
Não percebo a razão de tantas prosas
acerca do milagre de Isabel!...
Cá por mim... para que a vida me console...
Sou crente deste chão e deste sol,
da natureza e do ar puro deste vergel!
Matos Serra, in
Monte da Bica
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