A TOURADA - UM JOGO RADICAL
( Palavras de um não aficionado)
Desde p'ra lá dos tempos de Altamira,
bem antes de Lisboa ser Lisboa
e dos traços rupestres de Foz Côa...
que o Homem se diverte e que delira,
que ousa, que se arrisca e que se atira,
se fere, se fragiliza e se magoa
e enfrenta o touro bravo e apregoa
que em frente à fera brava não se vira.
E, por vezes, o medo é assombroso,
mas, medo de ter medo ainda é mais...
É preciso mostrar-se corajoso.
Já bem antes dos jogos radicais
a tourada era um jogo majestoso
para o ego dos nossos ancestrais.
Matos Serra in, As Suas Belezas e a Sua Cultura
sábado, 29 de junho de 2013
PRIMAVERA
TEMA: AO CANTAR DO CUCO
TÍTULO: PRIMAVERA
MODALID. SONETO
Entre a realidade e a quimera
vestiu-se a natureza de mil cores,
num pacto entre as aves e as flores
parece anunciar-se nova era.
Nos prados é a vida que se gera,
nos bosques são alados seus cantores
porque em março é o tempo dos amores...
ouço o cantar do cuco, é primavera.
Se, em cada ano, o quadro se renova
e se veste de novo a natureza...
os faunos lançam cantos na floresta...
é ele que anuncia a boa nova,
o cuco é pregoeiro desta certeza:
já toda a natureza está em festa.
Matos Serra in, Belezas do Alentejo.
TÍTULO: PRIMAVERA
MODALID. SONETO
Entre a realidade e a quimera
vestiu-se a natureza de mil cores,
num pacto entre as aves e as flores
parece anunciar-se nova era.
Nos prados é a vida que se gera,
nos bosques são alados seus cantores
porque em março é o tempo dos amores...
ouço o cantar do cuco, é primavera.
Se, em cada ano, o quadro se renova
e se veste de novo a natureza...
os faunos lançam cantos na floresta...
é ele que anuncia a boa nova,
o cuco é pregoeiro desta certeza:
já toda a natureza está em festa.
Matos Serra in, Belezas do Alentejo.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
BORBA
TEOGONIA BORBENSE
Poesia tradicional alentejana com mote de um poeta daquela simpática vila vinhateira. Este poema foi apresentado num concurso poético realizado durante as FESTAS DA VINHA E DO VINHO e foi destacado com um terceiro prémio. Brincando na própria poesia tradicional tratei o tema à laia de uma TEOGONIA.
MOTE
Borba... Tu és conhecida
por seres tão nobre e velhinha...
Onde há paz, amor e vida
e a grande "Festa da Vinha".
1
Está, por demais, comprovado,
e não só aos olhos meus...
que Borba é poiso de Deus
que aqui habita encantado...
que ao ter o mundo formado
desta terra fez guarida...
e, para a ter por garantida
fez marmóreos seus rochedos.
P´los prados, trigais, vinhedos...
Borba... Tu és conhecida.
2
E, na doce paz Divina,
fez aqui o paraíso...
convocou o deus Dioniso
para cultivar a campina
com castas de polpa fina
das melhores que em Si detinha...
e, também, como convinha
aos seus divinos manjares...
para divina te tornares
por seres tão nobre e velhinha.
3
E, Deus... sem padres nem bispos...
que 'inda os não havia então,
chamou a Si a gestão
e assumiu todos os riscos.
Pôs chuvadas e chuviscos...
condição que era exigida,
e colocou à partida
ternos ventos, meigas brisas...
por serem sempre precisas
onde há paz, amor e vida.
4
Depois... descansou então,
ao fim do sétimo dia,
teve paz e alegria
que ainda hoje aqui estão...
conteve o vento suão,
deteve a erva daninha...
inventou a cor verdinha
como fundo de ternura
teve amor, teve ventura...
e a "Grande Festa da Vinha" !...
Matos Serra in, Alentejo, as Terras e as Gentes.
Poesia tradicional alentejana com mote de um poeta daquela simpática vila vinhateira. Este poema foi apresentado num concurso poético realizado durante as FESTAS DA VINHA E DO VINHO e foi destacado com um terceiro prémio. Brincando na própria poesia tradicional tratei o tema à laia de uma TEOGONIA.
MOTE
Borba... Tu és conhecida
por seres tão nobre e velhinha...
Onde há paz, amor e vida
e a grande "Festa da Vinha".
1
Está, por demais, comprovado,
e não só aos olhos meus...
que Borba é poiso de Deus
que aqui habita encantado...
que ao ter o mundo formado
desta terra fez guarida...
e, para a ter por garantida
fez marmóreos seus rochedos.
P´los prados, trigais, vinhedos...
Borba... Tu és conhecida.
2
E, na doce paz Divina,
fez aqui o paraíso...
convocou o deus Dioniso
para cultivar a campina
com castas de polpa fina
das melhores que em Si detinha...
e, também, como convinha
aos seus divinos manjares...
para divina te tornares
por seres tão nobre e velhinha.
3
E, Deus... sem padres nem bispos...
que 'inda os não havia então,
chamou a Si a gestão
e assumiu todos os riscos.
Pôs chuvadas e chuviscos...
condição que era exigida,
e colocou à partida
ternos ventos, meigas brisas...
por serem sempre precisas
onde há paz, amor e vida.
4
Depois... descansou então,
ao fim do sétimo dia,
teve paz e alegria
que ainda hoje aqui estão...
conteve o vento suão,
deteve a erva daninha...
inventou a cor verdinha
como fundo de ternura
teve amor, teve ventura...
e a "Grande Festa da Vinha" !...
Matos Serra in, Alentejo, as Terras e as Gentes.
sábado, 22 de junho de 2013
ARRONCHES
POESIA TRADICIONAL " À VILA DE ARRONCHES "
MOTE
Se a Arronches chegas ou passas
logo a tristeza atenuas...
Andam ternuras e graças
por praças, becos e ruas.
I
Se a avistas da lonjura,
tão colorida, tão bela...
te parece uma aguarela
sobre um fundo de ternura.
Inserida na planura...
se passas, logo te enlaças
nas suas formas e traças,
malhas de cor e poesia...
Te envolves nesta harmonia
se a Arronches chegas ou passas.
2
Cada rosto é um sorriso
aberto de par em par,
e tu ficas a pensar
que entraste no paraíso...
e apenas é preciso
que o vivas e usufruas...
São tantas as graças suas
e o calor da sua gente
que ao chegares ficas contente
logo a tristeza atenuas.
3
E se estiveres de passagem
ou p'lo mundo andares perdido...
vais te sentir envolvido
se fizeres aqui paragem.
Já não queres seguir viagem,
razão há para que a não faças...
Por trás das lindas vidraças
há fatores de sedução...
A prender-te o coração
andam ternuras e graças.
4
As doces ninfas do rio,
a beleza dos seus montes,
a água fresca das fontes,
o seu ar puro e sadio...
te lançam um desafio
para que fiques e fruas
e que passem a ser tuas
essas riquezas singelas
porque há tantas coisas belas
por praças, becos e ruas.
Matos Serra in, O Alentejo, as Terras e as Gentes.
MOTE
Se a Arronches chegas ou passas
logo a tristeza atenuas...
Andam ternuras e graças
por praças, becos e ruas.
I
Se a avistas da lonjura,
tão colorida, tão bela...
te parece uma aguarela
sobre um fundo de ternura.
Inserida na planura...
se passas, logo te enlaças
nas suas formas e traças,
malhas de cor e poesia...
Te envolves nesta harmonia
se a Arronches chegas ou passas.
2
Cada rosto é um sorriso
aberto de par em par,
e tu ficas a pensar
que entraste no paraíso...
e apenas é preciso
que o vivas e usufruas...
São tantas as graças suas
e o calor da sua gente
que ao chegares ficas contente
logo a tristeza atenuas.
3
E se estiveres de passagem
ou p'lo mundo andares perdido...
vais te sentir envolvido
se fizeres aqui paragem.
Já não queres seguir viagem,
razão há para que a não faças...
Por trás das lindas vidraças
há fatores de sedução...
A prender-te o coração
andam ternuras e graças.
4
As doces ninfas do rio,
a beleza dos seus montes,
a água fresca das fontes,
o seu ar puro e sadio...
te lançam um desafio
para que fiques e fruas
e que passem a ser tuas
essas riquezas singelas
porque há tantas coisas belas
por praças, becos e ruas.
Matos Serra in, O Alentejo, as Terras e as Gentes.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
O CARRO DE APOLO
TEMA: O ALENTEJO
Aqui no meu querido Alto Alentejo, ao norte, já próximo das terras raianas, o ciclo diurno do tempo tem uma magia muito especial, talvez a magia das auroras surgidas em esplendor das lonjuras da peneplanície, ou, ainda com mais esplendor, capazes de ir até à motivação poética... "as ternas magias do poente das tardes estivais" quando o sol tende a desaparecer por entre as colinas.
Tentando traduzir em poesia as impressões de um dia, no seu ciclo completo, surgiu-me, daí, esta espécie de soneto onde, usando o meu próprio estado de espírito, alguma influência da minha intimidade com o bucolismo dos dias e uma pitada, porque não? de antigas mitologias, apareceu o poema que segue:
O CARRO DE APOLO E A TERNA MAGIA DO POENTE
Conduz, Apolo, o carro até à margem,
descreve a sua curva descendente,
ali, Breu, toma o carro e segue em frente
depois que o Rei dos Astros faz paragem.
É, agora, de Breu esta viagem
ao esconder-se a cor no céu luzente,
já se aproxima Vénus mansamente
e já se vê, de Aurora, a fresca imagem.
Deus Khrónos que preside à aventura,
que, Ele, comandará eternamente...
já, ali, traçou todas as metas;
e, no ciclo infinito que perdura,
vai manter a magia do poente
a inspirar o estro dos poetas.
Matos serra, in, belezas do Alentejo.
Aqui no meu querido Alto Alentejo, ao norte, já próximo das terras raianas, o ciclo diurno do tempo tem uma magia muito especial, talvez a magia das auroras surgidas em esplendor das lonjuras da peneplanície, ou, ainda com mais esplendor, capazes de ir até à motivação poética... "as ternas magias do poente das tardes estivais" quando o sol tende a desaparecer por entre as colinas.
Tentando traduzir em poesia as impressões de um dia, no seu ciclo completo, surgiu-me, daí, esta espécie de soneto onde, usando o meu próprio estado de espírito, alguma influência da minha intimidade com o bucolismo dos dias e uma pitada, porque não? de antigas mitologias, apareceu o poema que segue:
O CARRO DE APOLO E A TERNA MAGIA DO POENTE
Conduz, Apolo, o carro até à margem,
descreve a sua curva descendente,
ali, Breu, toma o carro e segue em frente
depois que o Rei dos Astros faz paragem.
É, agora, de Breu esta viagem
ao esconder-se a cor no céu luzente,
já se aproxima Vénus mansamente
e já se vê, de Aurora, a fresca imagem.
Deus Khrónos que preside à aventura,
que, Ele, comandará eternamente...
já, ali, traçou todas as metas;
e, no ciclo infinito que perdura,
vai manter a magia do poente
a inspirar o estro dos poetas.
Matos serra, in, belezas do Alentejo.
domingo, 22 de julho de 2012
CABEÇO DE VIDE
Tema: O Alentejo as terras e as gentes - ( POESIA TRADICIONAL)
MOTE
Muito azul e claridade,
de bom clima e solo ameno...
Quem parte leva saudade,
é um templo em céu sereno.
I
De vide, porque dá vida...
saúde das boas águas,
quem cá vem vai sentir mágoas
quando pensar na partida.
É, de há muito, conhecida
pela sua qualidade...
O coração nos invade
de ternura e de carinho;
airoso e terno cantinho,
MUITO AZUL E CLARIDADE.
II
Azinhais e verdes prados
orgulho dos seus pastores
que em vastos campos de flores
pastoreiam os seus gados.
Leiras e campos arados
e o alacre odor do feno,
linda flora, bom terreno...
que atenua o sol ardente
um jardim surpreendente
DE BOM CLIMA E SOLO AMENO.
Repleta de tradições
que desprendem nostalgias
das sessões de poesias
recitadas aos serões
nas casinhas dos ganhões...
...Da vivência de outra idade...
Que tanto nos persuade
p'ra cá vir buscar saúde,
quem vem não se desilude,
QUEM PARTE LEVA SAUDADE.
A encosta do castelo
que cá do vale se avista
nos sedúz e nos conquista
com seu ar terno e singelo.
Não se encontra paralelo
neste mundo tão pequeno...
Traz-nos paz e gozo pleno
à noite olhar as estrelas,
coisas simples mas tão belas
É UM TEMPLO EM CÉU SERENO.
Matos Serra / 22-7-2012
in Alentejo, suas terras e suas gentes.
MOTE
Muito azul e claridade,
de bom clima e solo ameno...
Quem parte leva saudade,
é um templo em céu sereno.
I
De vide, porque dá vida...
saúde das boas águas,
quem cá vem vai sentir mágoas
quando pensar na partida.
É, de há muito, conhecida
pela sua qualidade...
O coração nos invade
de ternura e de carinho;
airoso e terno cantinho,
MUITO AZUL E CLARIDADE.
II
Azinhais e verdes prados
orgulho dos seus pastores
que em vastos campos de flores
pastoreiam os seus gados.
Leiras e campos arados
e o alacre odor do feno,
linda flora, bom terreno...
que atenua o sol ardente
um jardim surpreendente
DE BOM CLIMA E SOLO AMENO.
Repleta de tradições
que desprendem nostalgias
das sessões de poesias
recitadas aos serões
nas casinhas dos ganhões...
...Da vivência de outra idade...
Que tanto nos persuade
p'ra cá vir buscar saúde,
quem vem não se desilude,
QUEM PARTE LEVA SAUDADE.
A encosta do castelo
que cá do vale se avista
nos sedúz e nos conquista
com seu ar terno e singelo.
Não se encontra paralelo
neste mundo tão pequeno...
Traz-nos paz e gozo pleno
à noite olhar as estrelas,
coisas simples mas tão belas
É UM TEMPLO EM CÉU SERENO.
Matos Serra / 22-7-2012
in Alentejo, suas terras e suas gentes.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
O ALENTEJO, O PÃO, A RIQUEZA E A DISTRIBUIÇÃO
TEMA: A RIQUEZA E A SUA (MÁ) DISTRIBUIÇÃO
O poema que se segue, com mote do grande poeta popular António Aleixo, foi apresentado num concurso de poesia popular que teve lugar na CONFRARIA DO PÃO, cuja sede é no Monte das Galegas, junto de Terena, no nosso Alto Alentejo e, ali, foi distinguido com o 1-º Prémio.
MOTE - QUADRA
DE
ANTÓNIO ALEIXO
O pão que sobra à riqueza
Distribuido com razão
Matava a fome à pobreza
E ainda sobrava pão.
Há quem estude economia
nos bancos da faculdade
mas que da realidade
ande um pouco à revelia...
Por não estar em sintonia
com esta grande certeza:
É faltar o pão na mesa
de muito bom cidadão
e não ter boa gestão
O PÃO QUE SOBRA À RIQUEZA:
É porque tal acontece
que ainda existe miséria,
questão tão candente e séria
que tanto nos entristece,
razão seria que houvesse
da justiça outra noção
e uma nova visão
que trouxesse nova luz
e tudo o que se produz
DISTRIBUIDO COM RAZÃO.
Fome não mais haveria
nem razões para haver guerra
e far-se-ia da Terra
uma comum moradia;
toda a gente viveria
sem razão para tristeza...
Mais feliz, e mais coesa
a sociedade, animada
numa luta conjugada
MATAVA A FOME Á POBREZA.
Far-se-ia um mundo novo,
prelúdio de nova era,
uma nova Primavera
a florescer para o povo;
nos meus versos a promovo...
O meu poema é ação,
encerra uma aspiração
que se fosse conseguida
garantia o pão da vida
E AINDA SOBRAVA PÃO:
Matos Serra
in Poesia popular, social e política.
O poema que se segue, com mote do grande poeta popular António Aleixo, foi apresentado num concurso de poesia popular que teve lugar na CONFRARIA DO PÃO, cuja sede é no Monte das Galegas, junto de Terena, no nosso Alto Alentejo e, ali, foi distinguido com o 1-º Prémio.
MOTE - QUADRA
DE
ANTÓNIO ALEIXO
O pão que sobra à riqueza
Distribuido com razão
Matava a fome à pobreza
E ainda sobrava pão.
Há quem estude economia
nos bancos da faculdade
mas que da realidade
ande um pouco à revelia...
Por não estar em sintonia
com esta grande certeza:
É faltar o pão na mesa
de muito bom cidadão
e não ter boa gestão
O PÃO QUE SOBRA À RIQUEZA:
É porque tal acontece
que ainda existe miséria,
questão tão candente e séria
que tanto nos entristece,
razão seria que houvesse
da justiça outra noção
e uma nova visão
que trouxesse nova luz
e tudo o que se produz
DISTRIBUIDO COM RAZÃO.
Fome não mais haveria
nem razões para haver guerra
e far-se-ia da Terra
uma comum moradia;
toda a gente viveria
sem razão para tristeza...
Mais feliz, e mais coesa
a sociedade, animada
numa luta conjugada
MATAVA A FOME Á POBREZA.
Far-se-ia um mundo novo,
prelúdio de nova era,
uma nova Primavera
a florescer para o povo;
nos meus versos a promovo...
O meu poema é ação,
encerra uma aspiração
que se fosse conseguida
garantia o pão da vida
E AINDA SOBRAVA PÃO:
Matos Serra
in Poesia popular, social e política.
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